Beast of Reincarnation foi um daqueles jogos que me chamaram atenção muito rápido. Não apenas pelo nome da Game Freak, mas pela mistura curiosa de Japão pós-apocalíptico, natureza tomando conta das ruínas, criaturas estranhas e uma protagonista que não enfrenta tudo sozinha. Ao lado de Emma está Ko, um enorme cão branco que participa da exploração, do combate e, pelo que o começo já sugere, do coração da história.
Depois de jogar e gravar minhas primeiras horas, a impressão que ficou foi bastante positiva. O jogo é bonito, roda bem, tem uma jogabilidade gostosa e apresenta ideias próprias sem tentar esconder suas influências. Ainda não é uma análise definitiva — existe muita coisa que eu não vi —, mas já dá para falar com segurança sobre o que funciona e sobre os pontos que ainda preciso conhecer melhor.

Um Japão do ano 4026 que parece vivo
A história se passa no Japão, no ano 4026, em um mundo devastado pela pestilência. Emma nasceu marcada por essa contaminação e possui a capacidade de manipular plantas. Ela não tem memória nem emoções e é tratada como uma ameaça. Ko, por sua vez, pertence justamente ao grupo de criaturas que Emma deveria caçar. A relação entre os dois começa, portanto, de um ponto que não deveria funcionar — e é isso que torna a dupla interessante.

Visualmente, o jogo acerta ao misturar coisas que normalmente não apareceriam juntas. Há casas simples, campos, água, árvores e flores, mas também trilhos, máquinas, golems e estruturas gigantescas enferrujando no meio da paisagem. Não é apenas um cenário bonito colocado atrás do personagem. A vegetação faz parte da identidade do mundo, das habilidades de Emma e da própria ameaça que transforma cada região.
Foi um dos pontos que mais gostei durante a jogatina. Existem momentos em que eu simplesmente parei para observar uma vila, uma construção ou uma máquina enorme atravessando o horizonte. Não considero o gráfico perfeito, por isso minha nota não chegou a cinco, mas a direção de arte faz muita diferença. Mesmo quando uma textura ou outro detalhe não impressiona tanto de perto, o conjunto quase sempre entrega uma imagem muito bonita.

O combate não é apenas bater e desviar
Na ação direta, Emma usa a katana, esquivas, aparos e ataques especiais. O ritmo é rápido, mas o jogo não obriga o jogador a resolver tudo apenas no reflexo. A grande diferença está na participação de Ko. Ao aparar ataques, eu acumulo pontos que podem ser usados nas habilidades do companheiro. Quando abro o menu de comandos de Ko, o tempo desacelera e surge espaço para olhar a situação e escolher o melhor recurso.
Essa combinação de ação em tempo real com comandos de RPG é a ideia mais interessante do sistema. O combate continua tendo impacto e velocidade, mas ganha pequenas pausas táticas. Não senti que Ko estava ali apenas seguindo a personagem ou servindo de decoração. Ele encontra pontos de interesse, ajuda nas lutas e pode receber ordens para atacar. Em algumas situações, é possível mandar o companheiro lidar com um inimigo enquanto Emma se concentra em outro.

O aparo tem bastante importância. Ele não serve somente para evitar dano: também alimenta as técnicas de Ko e ajuda a quebrar o equilíbrio do adversário. Isso torna a defesa parte da construção do ataque. Quem gosta de observar o movimento do inimigo e acertar o tempo vai aproveitar bastante, enquanto quem prefere uma experiência mais tranquila pode recorrer ao modo História. O jogo também oferece Normal e Difícil.

Exploração, verticalidade e liberdade para experimentar
Outra surpresa foi perceber que a movimentação não se limita a andar pelo chão. O cabelo de Emma funciona como uma extensão de seus poderes: ele pode ajudar a planar, alcançar pontos mais altos e criar uma espécie de caminho sobre determinadas áreas. Durante o combate, essa verticalidade também permite escapar de ataques, ganhar altura e usar a arma de longa distância com o tempo desacelerado.
As regiões que conheci parecem amplas, com caminhos laterais, itens escondidos, acampamentos e pontos que Ko identifica. Eu evitaria chamar o jogo de mundo aberto tradicional. Pelo começo, ele funciona melhor como uma aventura formada por áreas grandes, cheias de desvios e possibilidades de exploração. Essa estrutura ajuda o ritmo porque existe liberdade para procurar recursos sem perder completamente a direção da história.
Nos acampamentos, dá para descansar, administrar equipamentos e trabalhar a evolução. Emma possui artes de lâmina, armas e pedras espirituais que alteram o estilo de jogo; Ko também desenvolve suas próprias técnicas. Ainda preciso avançar muito para avaliar a variedade total, então a nota desse quesito fica em quatro. O que vi até agora é promissor, mas não seria honesto tratar as primeiras horas como se já revelassem todo o conteúdo.
Jogabilidade e desempenho me deixaram uma ótima impressão
A jogabilidade foi uma das partes que mais me convenceram. Emma responde bem, os golpes têm peso e a transição entre exploração, katana, arma a distância e comandos de Ko não parece uma coleção de sistemas soltos. É fácil reconhecer influências de outros RPGs de ação, mas a dupla consegue dar ao jogo uma dinâmica própria.
O desempenho também foi muito bom durante a minha experiência. Consegui jogar e gravar sem que problemas técnicos atrapalhassem o combate ou a exploração. Minha nota de 4,5 considera justamente essa primeira impressão bastante estável, mas ela não significa que testei todas as regiões, configurações e situações possíveis. É uma avaliação da sessão que joguei.
Beast of Reincarnation vale a pena?
Para quem gosta de RPG de ação, exploração e combates que misturam habilidade com um pouco de estratégia, minha resposta inicial é sim. Beast of Reincarnation não depende apenas do visual para causar boa impressão. A parceria entre Emma e Ko interfere de verdade na forma de jogar, o mundo desperta curiosidade e o sistema de combate já mostra profundidade suficiente para me fazer querer continuar.
O que ainda preciso descobrir é se a variedade se mantém durante toda a campanha e se a história aproveita bem os segredos de seus personagens. A diversão recebeu quatro porque estou avaliando apenas o começo: gostei bastante do que joguei, mas ainda quero ver como o ritmo evolui. Mesmo com essa cautela, a experiência geral foi muito boa.

Minha conclusão
Beast of Reincarnation foi uma surpresa muito boa. Não dei nota máxima porque ainda existem aspectos que só uma campanha mais longa pode confirmar, mas o começo mostra um jogo bonito, bem controlado, tecnicamente competente e com identidade. A nota final de 4,3/5 representa exatamente isso: não é empolgação vazia nem veredito definitivo, e sim uma primeira experiência forte o bastante para recomendar que fãs de RPG de ação coloquem o jogo no radar.
Fontes oficiais consultadas
- Steam — página oficial, preço, descrição e imagens
- Game Freak — plataformas, lançamento e conceito oficial
- Xbox Wire — explicação do diretor sobre história e combate
- Xbox — plataformas e disponibilidade no Game Pass
Pesquisa e conferência realizadas em 7 de agosto de 2026.
Assista à minha gameplay de Beast of Reincarnation
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