Carcaça com armadura de obsidiana em uma área iluminada de Mortal Shell 2 Games
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Mortal Shell 2 é bom? Minhas primeiras impressões após mais de três horas

Depois de jogar Mortal Shell 2 por mais de três horas, encontrei um soulslike brutal, bonito e surpreendentemente convidativo. Entenda a história, as carcaças, o combate, os números do lançamento e por que o jogo me conquistou mesmo sem eu ser veterano do gênero.

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Eu comecei a jogar Mortal Shell 2 sabendo de duas coisas: o jogo parecia espetacular e eu não sou exatamente o jogador mais habilidoso quando o assunto é soulslike. Depois de mais de três horas de live, algumas mortes, muita ajuda do chat e várias descobertas feitas na marra, terminei a sessão com uma certeza: a Cold Symmetry não produziu apenas uma continuação maior. Ela pegou a identidade do primeiro jogo, abriu espaço para exploração, acelerou o combate e transformou as carcaças em um sistema capaz de sustentar um RPG muito mais ambicioso.

Esta não é uma análise de quem terminou toda a campanha e decorou cada chefe. É uma avaliação de primeiras impressões baseada em uma sessão de 3 horas, 21 minutos e 24 segundos, complementada por pesquisa sobre o desenvolvimento, os sistemas, a recepção e os números do lançamento. Prefiro deixar essa diferença clara porque ela torna o veredito mais honesto: ainda tenho muita coisa para descobrir, mas o começo foi forte o suficiente para me fazer querer voltar.

Ficha rápida de Mortal Shell 2

DesenvolvedoraCold Symmetry
PublicadoraPlaystack
Lançamento20 de agosto de 2026
PlataformasPC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S
ModoUm jogador
GêneroRPG de ação / soulslike
IdiomaTextos e legendas em português do Brasil; áudio em inglês
Preço consultado no PCR$ 159,00 na Steam em 23 de agosto de 2026
Minha avaliação4,9 de 5

O que é Mortal Shell 2?

Mortal Shell 2 é uma continuação independente do RPG de ação lançado em 2020. Isso significa que existe uma ligação de universo, ideias e personagens, mas não é obrigatório ter jogado o primeiro para entender a nova aventura. A própria estrutura inicial trata de apresentar o protagonista, o conflito e a lógica das carcaças sem exigir uma aula sobre o jogo anterior.

O jogador controla o Arauto, uma criatura capaz de habitar os restos de guerreiros mortos. Esses corpos são as chamadas carcaças — ou Shells — e funcionam como algo bem mais interessante do que classes tradicionais. Cada uma possui aparência, atributos, habilidades, história e afinidades próprias. Trocar de carcaça não é apenas mudar a armadura: é reorganizar a maneira de enfrentar o mundo.

A missão do Arauto envolve recuperar os ovos sagrados da Submetra, espalhados por um mundo devastado e dominado por fanáticos, criaturas deformadas e falsos deuses. A narrativa prefere sugerir em vez de explicar tudo diretamente. Há símbolos religiosos, arquitetura construída sobre restos colossais, personagens enigmáticos e descrições que entregam pequenos pedaços do passado. É o tipo de história em que prestar atenção ao cenário faz parte da experiência.

Guerreiro encara uma criatura iluminada em uma masmorra de Mortal Shell 2
O mundo mistura religião, decadência e criaturas perturbadoras sem perder a identidade visual. Imagem oficial: Cold Symmetry/Playstack.

Da equipe pequena ao maior investimento da Playstack

A história da Cold Symmetry ajuda a entender por que esta sequência chama tanta atenção. O primeiro Mortal Shell foi desenvolvido por uma equipe que teve, em média, cerca de 15 pessoas durante aproximadamente dois anos. Era um projeto independente que parecia maior do que seu orçamento e conseguiu se destacar em um gênero dominado por comparações inevitáveis com a FromSoftware.

O resultado foi expressivo: o jogo original superou 500 mil unidades em 2021 e alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas em 2023. Esse desempenho mudou a posição da Playstack no mercado. Ao anunciar a sequência, a publicadora afirmou que Mortal Shell 2 representava seu maior investimento em um jogo por uma diferença de ordem de grandeza.

A sequência passou por quase quatro anos de desenvolvimento. Isso aparece na escala, na variedade e, principalmente, na confiança. O primeiro jogo tinha ideias boas limitadas por um escopo pequeno; o segundo parece construído por uma equipe que entendeu exatamente o que deveria preservar e onde precisava crescer.

Um mundo aberto compacto, não um mapa cheio de tarefas genéricas

A Cold Symmetry descreve o cenário como um mundo aberto interligado, amplo, mas deliberadamente compacto. Na prática, a ideia não é competir para ver quem coloca o maior mapa na tela. O objetivo é oferecer liberdade sem desperdiçar o tempo do jogador. Há caminhos que se cruzam, faróis que funcionam como pontos de descanso e deslocamento, áreas opcionais, masmorras, encontros escondidos e regiões que parecem guardar algo fora do trajeto principal.

Durante a live, o momento em que o mapa finalmente apareceu mudou completamente minha leitura do jogo. Até ali, eu ainda estava tratando a experiência como uma sequência de corredores hostis. Quando percebi a dimensão do território, as carcaças marcadas e a possibilidade de escolher rotas, ficou claro que existe uma camada de RPG e exploração muito mais forte do que eu esperava.

Esse desenho também ajuda a controlar o ritmo. Você pode estar tentando alcançar um objetivo e, poucos minutos depois, desviar porque viu uma porta, uma estrutura estranha ou um inimigo que parece guardar alguma recompensa. Nem toda curiosidade termina bem, claro. Em um soulslike, muitas vezes o prêmio por explorar é descobrir uma criatura capaz de acabar com você em segundos. Ainda assim, o mundo consegue provocar aquela vontade de avançar “só mais um pouco”.

As oito carcaças são o coração do jogo

Mortal Shell 2 possui oito carcaças jogáveis. Encontrá-las faz parte da progressão, e cada corpo oferece um ponto de partida diferente para montar uma configuração. Há carcaças mais resistentes, outras mais agressivas e opções com habilidades capazes de alterar distância, defesa ou controle de grupo. Como também existem armas, armas auxiliares, selos, pedras de Tar e melhorias, o sistema abre espaço para combinações bem diferentes.

Uma das melhores ideias é a separação entre o Arauto e o corpo que ele ocupa. Quando a carcaça é quebrada, o personagem não morre imediatamente: ele é expulso, fica vulnerável e precisa causar dano suficiente para reanimar ou recuperar aquela proteção. Na live, levei algum tempo para entender o que a barra representava. Quando a lógica finalmente encaixou, percebi que a carcaça funciona ao mesmo tempo como classe, armadura e segunda oportunidade.

As carcaças também podem receber sombras, que alteram a aparência. A edição Devout inclui um conjunto de visuais de obsidiana para as oito opções, mas a personalização não se resume ao pacote pago. O jogo conecta identidade visual, descoberta e progressão de uma maneira que dá vontade de experimentar outro corpo mesmo depois de encontrar um estilo confortável.

Combate rápido, brutal e sem barra tradicional de stamina

A mudança mais importante no combate é a ausência de uma barra tradicional de stamina limitando cada ataque ou esquiva. Isso não transforma o jogo em um festival de botões apertados sem pensar. O risco continua alto, os inimigos castigam erros e a leitura das animações ainda é fundamental. A diferença é que o sistema incentiva uma postura mais ofensiva.

Golpes leves e pesados, guarda, esquiva, ataques das carcaças, armas auxiliares e habilidades especiais formam uma caixa de ferramentas mais ampla. O jogador pode quebrar a postura do inimigo, aproveitar aberturas e usar recursos à distância para complementar a arma principal. Há armas de fogo medievais e equipamentos bem menos convencionais, incluindo instrumentos que funcionam como armamento.

Minha primeira reação foi de estranhamento, principalmente porque comecei no teclado e depois tentei jogar no controle. Eu tenho mais domínio de câmera com mouse e não me adapto rapidamente ao uso simultâneo dos dois analógicos. Isso é uma preferência pessoal, não um defeito do jogo. A Steam, inclusive, registra compatibilidade total com controle, DualShock e DualSense.

Depois que comecei a entender a guarda, a petrificação, a recuperação da carcaça e o tempo das esquivas, o combate ficou muito melhor. Em determinado momento da live eu resumi de maneira simples: a jogabilidade era “muito boa”. Mais tarde, já familiarizado com os sistemas, a sensação era de estar diante de um jogo que eu realmente gostaria de aprender, e não apenas testar por curiosidade.

Progressão, armas e a sensação de que sempre existe algo novo

A progressão acontece em camadas. O jogador reúne moedas e recursos, fortalece carcaças, melhora armas na forja, encontra equipamentos, desbloqueia faróis e descobre a localização de outros corpos. A versão da economia no lançamento gerou críticas porque alguns custos dificultavam experimentar novas opções, mas o estúdio reagiu rapidamente com o primeiro pacote de balanceamento.

Esse sistema muda a percepção da dificuldade. No começo, eu estava tentando vencer apenas com reflexo e insistência. Perto do fim da live, ao descobrir melhor a forja e entender onde investir os recursos, ficou evidente que crescer faz parte da resposta. Nem todo muro precisa ser derrubado imediatamente. Às vezes, explorar outra região, fortalecer a arma ou desenvolver a carcaça é a decisão mais inteligente.

Tela oficial mostra Proxima, armas e habilidades em Mortal Shell 2
Cada carcaça pode ser combinada com armas, auxiliares e melhorias para criar estilos diferentes. Imagem oficial: Cold Symmetry/Playstack.

O jogo também possui 53 conquistas na Steam, um indicativo de que há bastante espaço para exploração, desafios e conclusão além do caminho básico. Não é uma medida perfeita de duração, mas ajuda a mostrar que o projeto foi pensado para quem gosta de vasculhar o mundo e testar configurações.

Direção de arte: o gráfico não é apenas bonito, ele constrói o desconforto

Visualmente, Mortal Shell 2 foi o aspecto que mais me impressionou. Em um ponto da live, a reação saiu sem preparação: “o gráfico do jogo é sem noção”. A frase é informal, mas descreve bem o impacto. Armaduras apresentam materiais e reflexos convincentes, a luz atravessa ruínas de forma dramática e o mundo alterna pedra, vegetação, carne, névoa e estruturas religiosas sem parecer uma coleção desconectada de cenários.

O mais importante é que a tecnologia serve à atmosfera. O jogo é escuro, porém sabe trabalhar contraste. Uma abertura iluminada no teto, uma fogueira distante ou uma criatura recortada contra a névoa já funcionam como parte da narrativa. A trilha e o desenho de som completam esse ambiente com ruídos metálicos, impactos pesados e músicas que entram na hora certa.

Carcaça observa criaturas em uma região alagada de Mortal Shell 2
Iluminação, névoa, água e silhuetas trabalham juntas para manter o mundo ameaçador. Imagem oficial: Cold Symmetry/Playstack.

Também gostei da variedade visual das carcaças. Não são apenas cavaleiros com armaduras de cores diferentes. Os corpos carregam silhuetas, materiais e detalhes próprios, reforçando a ideia de que pertenciam a guerreiros com histórias distintas.

É difícil? Sim, mas o começo também é um aprendizado

Seria desonesto dizer que tive facilidade. Morri, fiquei perdido, ignorei comandos importantes e demorei a perceber como alguns sistemas funcionavam. A abertura apresenta muitas ideias em pouco tempo, e quem não está acostumado ao gênero pode achar tudo confuso. Foi exatamente o que aconteceu comigo.

A diferença é que a confusão diminuiu conforme eu jogava. Depois de entender os faróis, o mapa, a recuperação da carcaça, a guarda e a forja, a experiência começou a fazer sentido. O jogo não se tornou fácil, mas deixou de parecer arbitrário. Passei a enxergar por que havia morrido e o que deveria tentar de outra forma.

Minha dificuldade com o controle também não deve ser usada como crítica geral. Eu me movimento melhor com teclado e mouse, enquanto muitos jogadores de soulslike preferem o controle justamente pela disposição dos botões e pela esquiva. O bom é que o PC aceita as duas opções e permite encontrar a configuração mais confortável.

Os números do lançamento mostram interesse — e também críticas

A beta aberta demonstrou que havia uma audiência esperando pela sequência. Ela chegou a 1 milhão de downloads somando as plataformas, segundo a conta oficial do jogo. No lançamento, Mortal Shell 2 alcançou um pico de 44.486 jogadores simultâneos na Steam em 23 de agosto. Para efeito de comparação, o primeiro jogo teve pico histórico de 1.931 na plataforma, embora tenha chegado à Steam um ano depois da estreia original.

IndicadorNúmero consultadoO que ele mostra
Downloads da beta1 milhãoInteresse forte antes da estreia
Pico simultâneo de Mortal Shell 2 na Steam44.486Lançamento muito maior no PC
Avaliações rastreadas pelo SteamDB8.87476% positivas e 24% negativas na consulta
Média no OpenCritic85/100 em 66 análisesJogo no 93º percentil da plataforma
Vendas do primeiro Mortal ShellMais de 1 milhãoBase comercial que permitiu ampliar a sequência

Os dados contam uma história interessante. A crítica especializada recebeu o jogo muito bem, enquanto a avaliação dos usuários na Steam começou mais dividida. Isso costuma acontecer quando problemas práticos — travamentos, desempenho, economia ou mudanças em relação à beta — pesam mais para quem comprou no primeiro dia. Como as porcentagens mudam com novas avaliações, os números acima registram a situação consultada em 23 de agosto de 2026.

A primeira atualização já mudou economia e dificuldade

A Cold Symmetry publicou um pacote rápido de balanceamento logo após o lançamento. A atualização trocou o custo dos mapas de carcaças de Vislumbres por Penumbra, determinou a devolução dos Vislumbres gastos, aumentou a quantidade de ouro derrubada por inimigos e reduziu em 75% o custo para fundir armas na Forja de Tar.

Chefes e inimigos também receberam ajustes. A Criança Perdida perdeu 15% da vida máxima e 10% do dano-base; o Monólito perdeu 10% da vida e 19% do dano, além de ataques com tempo revisto. Armas e pedras de Tar foram fortalecidas, enquanto correções de falhas e estabilidade entraram no mesmo pacote.

Não vejo isso como prova de que o jogo foi lançado sem direção. Vejo como sinal de que a experiência inicial tinha pontos que precisavam de ajuste — especialmente a economia — e de que o estúdio estava acompanhando a reação dos jogadores. O importante será manter esse suporte nas semanas seguintes.

Requisitos, preço e o que saber antes de comprar no PC

Na consulta realizada para esta matéria, a edição padrão custava R$ 159,00 na Steam. A página lista apenas requisitos mínimos, com Windows 10, processador Intel Core i5-10600 ou Ryzen 5 5500, 16 GB de RAM, GTX 1060 de 3 GB ou Radeon RX 580 de 4 GB, DirectX 12 e 70 GB em SSD. O SSD é indicado como obrigatório.

O jogo possui textos em português do Brasil, opções de legenda, controles independentes de volume, ajuste de tamanho do texto e compatibilidade total com controle. É uma experiência exclusivamente para um jogador. No console, está disponível para PS5 e Xbox Series X|S; não há versões para PS4, Xbox One ou Nintendo Switch anunciadas.

Minha avaliação de Mortal Shell 2

A nota abaixo representa minhas primeiras impressões, não uma conclusão definitiva sobre toda a campanha. Estou avaliando o que experimentei na live, a qualidade dos sistemas apresentados e o desejo real de continuar jogando.

CategoriaNota
Gráficos e direção de arte5,0/5
Jogabilidade e combate5,0/5
Exploração e mundo4,9/5
Progressão e personalização4,9/5
Som e atmosfera4,9/5
Narrativa e apresentação inicial4,9/5
Nota geral4,9/5

Vale a pena jogar Mortal Shell 2?

Para quem gosta de soulslike, RPG de ação, exploração e mundos sombrios, a resposta das minhas primeiras horas é sim. Mortal Shell 2 tem personalidade suficiente para não viver apenas à sombra de Dark Souls ou Elden Ring. As carcaças são uma ideia própria, a ausência de stamina muda o ritmo e o mundo aberto compacto cria liberdade sem transformar a campanha em uma lista de ícones.

O começo pode assustar quem não domina o gênero. Há termos, recursos e comandos para absorver, e a punição por alguns erros é pesada. Mesmo assim, eu sou justamente a prova de que não é preciso ser veterano para encontrar diversão. Passei parte da live dizendo que era ruim, me perdendo e aprendendo com o chat. Ainda assim, em vários momentos a reação foi espontânea: “que jogaço”, “muito bom” e “massa demais”.

O melhor sinal veio no fim. Eu não estava contando os minutos para encerrar; estava descobrindo a forja, testando sombras e pensando no que faria na próxima sessão. Depois de 3h21, a conclusão foi simples: vou jogar muito mais.

Assista à minha experiência completa

Se você quiser ver como essas impressões surgiram, a live completa está no canal Hertemus. É uma experiência sem roteiro: começo conhecendo os comandos, recebo ajuda do chat, enfrento minhas primeiras lutas, descubro o mapa e termino querendo continuar.

Para acompanhar outras análises, notícias e gameplays, visite a seção de Games do Hertemus.

Fontes consultadas

Hertemus
Sobre o autor

Hertemus

Sou o Hertemus! Há mais de 11 anos, mergulho fundo no mundo dos games através do meu canal no YouTube e Twitch. Com análises honestas e gameplays, construí uma comunidade apaixonada ao redor do mundo. Minha paixão pelo gaming só cresce a cada dia.

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