Os primeiros minutos de Subnautica 2 não dão muita folga. A viagem até um novo mundo sai do controle, a pressão externa ameaça destruir tudo e, quando finalmente chega a hora de entrar na água, o jogador ainda precisa aprender a respirar, procurar materiais e descobrir onde foi parar. É um começo que mistura curiosidade com um desconforto constante. Você quer explorar um pouco mais, mas o marcador de oxigênio insiste em lembrar que aquela aventura pode acabar em segundos.
Essa combinação continua sendo o coração da série. A Unknown Worlds não transformou a sequência em um jogo de tiro submarino e também não abandonou a exploração solitária que tornou o primeiro Subnautica tão conhecido. A diferença é que agora existe um planeta inédito, uma nova história, sistemas de adaptação e a possibilidade de dividir o mergulho com até três amigos.
O jogo entrou em acesso antecipado no dia 14 de maio de 2026. Portanto, já pode ser comprado e jogado, mas ainda não representa a versão final. Há conteúdo suficiente para conhecer o novo mundo e seus principais sistemas, enquanto outras regiões, criaturas, veículos e capítulos da história serão adicionados aos poucos.
Um novo planeta e uma história que começa do zero
Subnautica 2 não volta ao planeta 4546B, cenário dos títulos anteriores. A aventura acontece em outro mundo alienígena, conhecido como Proteus, e acompanha uma missão de colonização organizada pela Alterra. O jogador faz parte do grupo de pioneiros conduzido pela nave CICADA, responsável por preparar um novo lar para milhares de pessoas.
Como costuma acontecer nessa franquia, o plano não dura muito. A CICADA enfrenta uma emergência antes de concluir a chegada, a inteligência artificial da nave insiste que a missão precisa continuar e o personagem acaba tendo que sobreviver com os recursos disponíveis. É daí que surgem as primeiras tarefas: compreender o ambiente, recuperar equipamentos, encontrar água potável, produzir ferramentas e construir um lugar seguro.
A mudança de planeta também permite que alguém comece por este jogo sem conhecer os anteriores. Existem referências para quem acompanha a série há anos, mas a história foi pensada como um novo ponto de entrada. Isso combina muito bem com a proposta da sequência, porque o jogador e o personagem estão descobrindo aquele oceano ao mesmo tempo.
Quem está fazendo Subnautica 2?
O desenvolvimento está nas mãos da Unknown Worlds Entertainment, que também aparece como publicadora do jogo. O estúdio nasceu em 2001, em San Francisco, e ficou conhecido primeiro por Natural Selection, projeto surgido na comunidade de mods de Half-Life. Anos depois, a equipe lançou o primeiro Subnautica em acesso antecipado e encontrou ali sua franquia mais importante.
O Subnautica original começou a ser vendido em desenvolvimento em 2014 e chegou à versão 1.0 em 2018. Below Zero seguiu um caminho parecido: entrou em acesso antecipado em 2019 e foi concluído em 2021. Naquele mesmo ano, a Unknown Worlds passou a fazer parte da KRAFTON, embora tenha mantido sua identidade e continuado responsável pela série.
A empresa nunca anunciou uma data exata para o começo da produção de Subnautica 2. O primeiro registro público claro apareceu em abril de 2022, quando uma vaga para roteirista mencionou o próximo jogo do universo Subnautica. A revelação oficial com o primeiro teaser ocorreu em outubro de 2024. Considerando apenas o período que pode ser documentado publicamente, foram pouco mais de quatro anos de trabalho até a chegada ao acesso antecipado em maio de 2026. O desenvolvimento real pode ter começado antes.
Também houve uma mudança técnica grande. Os jogos anteriores utilizavam Unity, enquanto Subnautica 2 foi construído na Unreal Engine 5. A troca ajuda a explicar a iluminação mais detalhada, o alcance visual de algumas regiões e a quantidade de pequenos organismos aparecendo ao mesmo tempo, embora também aumente a exigência sobre o computador.
Explorar, fabricar e tentar voltar com vida
A rotina de Subnautica 2 começa de forma simples. O jogador deixa o abrigo, recolhe materiais, examina plantas e animais, volta antes que o oxigênio termine e usa o que encontrou para produzir equipamentos melhores. Cada melhoria permite permanecer mais tempo na água ou alcançar uma área que antes parecia distante demais.
O ritmo não depende de missões surgindo o tempo inteiro. Boa parte da diversão vem de enxergar alguma coisa estranha ao longe e decidir investigar. Pode ser a entrada de uma estrutura abandonada, uma corrente que leva até outra profundidade, um novo recurso ou uma criatura grande o bastante para fazer o jogador mudar de direção. Nem toda descoberta é explicada imediatamente, e o jogo sabe aproveitar essa dúvida.
As bases funcionam como pontos de segurança e centros de produção. É possível ampliar cômodos, instalar armazenamento, criar áreas de cultivo e preparar estruturas para veículos. O sistema foi pensado para permitir construções mais personalizadas, sem perder a lógica de montar um habitat capaz de sustentar mergulhos cada vez mais longos.
Biomods mudam a relação com o ambiente
Uma das novidades mais interessantes está no sistema de adaptação biológica. Proteus não é um lugar naturalmente adequado ao corpo humano, por isso o jogador pode encontrar Biomods que alteram suas capacidades. Em vez de depender somente de cilindros, ferramentas e veículos, parte da evolução passa pelo próprio personagem.
A atualização 1.1, chamada Adaptive Measures, reorganizou essa progressão. Atualmente, é possível encontrar seis Biomods nos laboratórios espalhados pelo mapa. O Bioscanner também ganhou mais importância: ao estudar criaturas, o jogador libera espaços passivos adicionais e amplia as possibilidades de combinação.
Isso cria um tipo diferente de recompensa para a exploração. Examinar a vida marinha não serve apenas para preencher um banco de dados. O conhecimento adquirido pode interferir na forma como o personagem se movimenta, resiste ao ambiente e enfrenta os limites das áreas mais perigosas.
O cooperativo é opcional
O multiplayer foi uma das mudanças que mais chamaram atenção desde o anúncio. Pela primeira vez na série, quatro pessoas podem dividir o mesmo mundo oficialmente. Um jogador cria a sessão e até três amigos entram para explorar, recolher recursos e construir juntos. Há suporte a jogo entre plataformas, ligando os usuários das versões de PC e Xbox.
Mesmo assim, Subnautica 2 não exige companhia. A Unknown Worlds descreve o projeto como uma experiência pensada primeiro para um jogador, com cooperativo opcional. O mundo e a história ficam disponíveis das duas maneiras. Quem prefere a sensação de isolamento pode seguir sozinho; quem sempre quis montar uma base com amigos finalmente tem essa possibilidade sem depender de modificações feitas pela comunidade.
Essa escolha muda bastante o clima. Sozinho, qualquer ruído vindo da escuridão parece mais perigoso. Em grupo, o medo dá lugar a conversas, divisão de tarefas e situações imprevisíveis. São duas formas válidas de jogar, e nenhuma delas bloqueia a campanha.
Onde jogar e quanto custa?
Subnautica 2 está disponível para computadores pela Steam, Epic Games Store e aplicativo Xbox, além do Xbox Series X|S. O título também faz parte do PC Game Pass e do Xbox Game Pass Ultimate. Até a publicação deste artigo, não existe versão anunciada para PlayStation 5 ou Nintendo Switch 2.
O preço base apresentado na Steam brasileira é de R$ 119,99. Esse valor pode mudar em promoções, e a própria Unknown Worlds já avisou que pretende aumentar o preço quando o jogo sair do acesso antecipado. Quem compra agora recebe as atualizações, adições de conteúdo e a futura versão 1.0 sem precisar adquirir o jogo novamente.
Requisitos para jogar no PC
Quando será lançado por completo?
A versão final ainda não tem uma data marcada. Na página da Steam, a equipe estima que o período de acesso antecipado deve durar aproximadamente dois ou três anos. Se esse planejamento for mantido, a versão 1.0 pode aparecer entre 2028 e 2029, mas isso é apenas uma projeção baseada na estimativa dos desenvolvedores, não uma confirmação de lançamento.
O plano é ampliar o mundo com novos biomas, criaturas, recursos, ferramentas, veículos e capítulos da história. A Unknown Worlds também pretende trabalhar em desempenho, correções e ajustes indicados pela comunidade. O roteiro divulgado após a estreia separou o trabalho entre atualizações de qualidade de vida, melhorias voltadas ao cooperativo e expansões maiores.
O processo já começou. A versão 1.1 chegou em 8 de julho com mudanças nos Biomods, laboratórios adicionais, corrida fora da água, ajustes na construção de bases e um controle de campo de visão. Seis dias depois, o quarto hotfix corrigiu travamentos, problemas de progressão e correntes de água surgindo dentro das bases.
Vale a pena jogar agora?
Depende do que você procura. Quem gosta de descobrir sistemas, acompanhar atualizações e participar do crescimento de um jogo encontra uma versão promissora. O visual, a exploração, a construção e o cooperativo já estão funcionando, e a recepção na Steam permanece muito positiva. Na consulta feita para este artigo, o jogo acumulava mais de 124 mil avaliações considerando todos os idiomas.
Por outro lado, ainda existem áreas em construção. A história não está completa, o número de biomas e veículos aumentará e problemas de desempenho podem aparecer. Quem prefere jogar uma campanha fechada, com todos os mistérios e recursos disponíveis, provavelmente fará melhor negócio esperando a versão 1.0 ou uma etapa mais avançada do acesso antecipado.
O mais importante é entrar sabendo o que está comprando. Subnautica 2 já é um jogo disponível, e não somente uma promessa distante, mas continua sendo um projeto em desenvolvimento. A base é boa; o tamanho que essa aventura terá depende dos próximos anos de atualizações.
Minha primeira experiência com Subnautica 2
Eu nunca tinha jogado nenhum Subnautica e resolvi começar diretamente pelo segundo, sem guia e sem saber o que me esperava. No vídeo abaixo, mostro meus primeiros minutos no jogo, a dificuldade para entender o oxigênio, a descoberta das primeiras estruturas e a mudança do cenário quando a noite chega.
Foi uma experiência bem mais tensa do que eu imaginava. Ao mesmo tempo em que o oxigênio dá vontade de voltar correndo, qualquer luz ou formação diferente faz a gente querer avançar só mais um pouco. Se você também está conhecendo a série agora, o vídeo mostra exatamente como é entrar nesse mundo completamente perdido.
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