Eu entrei no playtest de Wilderings: The Lost Spring sem ter jogado antes e sem saber exatamente até onde essa mistura de ação, exploração, criaturas companheiras e progressão roguelite conseguiria ir. Depois dos primeiros minutos, a impressão foi muito positiva: o jogo tem personalidade, responde bem aos comandos e apresenta suas mecânicas sem transformar o começo em uma sequência cansativa de explicações.
O que mais me chamou atenção foi como tudo parece leve e fluido. O visual é colorido, muito bonito e cheio de contraste entre a natureza viva e as regiões tomadas pela corrupção. Mesmo sendo uma versão em desenvolvimento, com o aviso de “work in progress” aparecendo durante a partida, o conjunto já transmite bastante cuidado.
O que é Wilderings: The Lost Spring?
Wilderings: The Lost Spring é um jogo de ação e aventura com estrutura roguelite, exploração em áreas abertas, elementos de Metroidvania e coleta de criaturas. Ele está sendo desenvolvido pela espanhola Herobeat Studios, equipe responsável por Endling: Extinction is Forever, e será publicado pela Kabam Games.
A protagonista é Abi, que parte para recuperar um mundo corrompido. Durante as expedições, ela encontra os Hântu, criaturas que não servem apenas como companhia: cada uma acrescenta efeitos, possibilidades de combinação e novas decisões ao combate. A ideia central é explorar, enfrentar inimigos, restaurar áreas naturais e voltar mais preparado para a próxima tentativa.
A base fica em um dirigível, onde o jogador poderá organizar a progressão, cultivar plantas, melhorar os Hântu e planejar novas investidas. Segundo a página oficial na Steam, o ciclo será ampliado durante o Acesso Antecipado com novos biomas, chefes, ferramentas de travessia, missões, melhorias de desempenho e mais conteúdo narrativo.

Um começo que ensina enquanto deixa jogar
No trecho que joguei, o tutorial apresentou esquiva, defesa, ataque pesado e disparo rápido aos poucos, já dentro da exploração. Eu pude testar os comandos enquanto avançava, quebrava obstáculos e enfrentava as primeiras criaturas. Isso ajuda bastante porque o jogo não interrompe a ação durante muito tempo.
Os golpes têm boa resposta e a movimentação é rápida. Existe combate corpo a corpo, ataque à distância, esquiva e a possibilidade de usar os poderes dos Hântu. Não senti aquele peso artificial de alguns jogos que confundem dificuldade com lentidão. Aqui, a personagem se move bem e o combate mantém um ritmo agradável.
Minha primeira sensação foi simples: é gostoso controlar a personagem. O jogo é leve, responde bem e faz a gente querer continuar explorando para descobrir o que existe logo adiante.
O confronto com Röhe mostrou o potencial do combate
Um dos momentos mais interessantes foi a luta contra Röhe, the Moth. O confronto colocou na tela uma criatura muito maior, ataques com área marcada e a necessidade de observar melhor o posicionamento. Mesmo nessa versão inicial, já dá para perceber a intenção de criar chefes com identidade visual e padrões próprios.
Foi também onde a proposta de ação ficou mais clara para mim. Não é apenas andar pelo cenário recolhendo recursos: existem combates mais exigentes, inimigos espalhados pelo caminho e habilidades que precisam ser usadas no momento certo. Ainda há espaço para balanceamento e polimento, algo natural em um playtest, mas a fundação está funcionando.

Os Hântu dão identidade à progressão
Depois, o jogo apresentou escolhas entre diferentes Hântu. Na partida apareceram opções como Navallin, Hornsby e Woolra, com efeitos relacionados a dano corpo a corpo, contra-ataque e chance de empurrar os inimigos. Essa escolha já mostra como as criaturas podem mudar a construção da personagem e a forma de abordar cada tentativa.
Esse é um ponto que tem muito potencial. Em um roguelite, repetir uma área só continua divertido quando aparecem decisões capazes de alterar a experiência. Se o estúdio ampliar bem a variedade de Hântu, habilidades, melhorias e combinações, Wilderings pode oferecer justamente esse incentivo para começar outra expedição tentando uma estratégia diferente.

Explorar e restaurar o mundo
A exploração também não parece estar ali apenas para ligar uma luta à outra. Vi objetivos ligados à restauração das Springs, passagens em alturas diferentes, áreas bloqueadas e pontos que exigem habilidades de travessia. O gancho, por exemplo, abre novas possibilidades de movimento, reforçando a influência de Metroidvania mencionada pelos próprios desenvolvedores.
Visualmente, a mudança entre as regiões funciona muito bem. Há ambientes escuros e contaminados, mas também trechos vivos, com água azul, vegetação colorida e formas bem estilizadas. Gostei bastante dos gráficos. Eles não tentam buscar realismo; apostam numa direção artística própria, que combina com as criaturas e com a proposta de recuperar a natureza.

A derrota faz parte, mas existe progresso
Como acontece nos roguelites, cair durante uma expedição não representa simplesmente perder tudo e começar do zero. A proposta oficial prevê melhorias persistentes, evolução dos companheiros e preparação no dirigível. No vídeo, esse ciclo de enfrentar riscos, aprender e retornar à base já começa a aparecer.
É cedo para avaliar toda a profundidade dessa progressão, porque o conteúdo testado ainda é limitado. Mesmo assim, a estrutura faz sentido: entrar numa região, cumprir objetivos, enfrentar desafios, escolher recompensas e fortalecer a próxima tentativa. O mais importante é que o combate e a exploração são divertidos o bastante para sustentar essa repetição.

Minhas primeiras impressões
Eu realmente gostei do que joguei. Wilderings: The Lost Spring tem gráficos muito bons, roda de forma leve, apresenta uma jogabilidade fluida e consegue combinar ação, exploração e progressão roguelite sem parecer uma cópia direta de outro jogo.
O conteúdo atual ainda deixa claro que existe bastante coisa por vir. O estúdio pretende levar o projeto ao Acesso Antecipado e continuar desenvolvendo o jogo com a participação da comunidade. Isso significa que balanceamento, quantidade de áreas, variedade de criaturas, chefes, missões e a própria história ainda devem crescer bastante.
Ao mesmo tempo, eu prefiro olhar para aquilo que já está funcionando — e há bastante coisa. A movimentação é agradável, o combate tem potencial, os Hântu trazem decisões interessantes e a direção artística dá vontade de conhecer cada nova região. Para um primeiro contato, foi uma surpresa muito boa.
Se a Herobeat Studios conseguir aprofundar as combinações, variar bem as expedições e entregar a evolução planejada para o Acesso Antecipado, vejo espaço para Wilderings se tornar um roguelite de ação muito interessante. É um jogo que vou continuar acompanhando, porque a base já é divertida e ainda pode melhorar muito.
Resumo da experiência
- Pontos que mais gostei: direção artística, leveza, fluidez, exploração e integração dos Hântu ao combate.
- O que mostrou potencial: chefes, restauração dos biomas, habilidades de travessia e variedade de builds.
- O que ainda precisa crescer: quantidade de conteúdo, profundidade da progressão e polimento natural de uma versão em desenvolvimento.
- Impressão final: uma experiência divertida e promissora, que já apresenta uma base muito competente.
Fontes oficiais
- Wilderings: The Lost Spring na Steam — descrição, desenvolvedora, publicadora, recursos e plano de Acesso Antecipado.
- Imagens internas: capturas da própria partida gravada pelo Canal HERTEMUS.
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